Engana-se quem pensa que a Bolívia se resume apenas ao Salar de Uyuni. Mesmo estando aqui do lado do Brasil, o país ainda passa longe da lista de desejos de muitos viajantes e acaba sendo uma grande surpresa para quem decide conhecer. Além das paisagens impressionantes, a Bolívia reúne cidades históricas, lagos de altitude, montanhas e experiências bem diferentes do turismo mais tradicional da América do Sul. E o melhor: normalmente a viagem custa menos do que muita gente imagina. Neste guia, veja o que fazer na Bolívia em 2026 e descubra os melhores destinos para incluir no roteiro.

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POR QUE CONHECER A BOLÍVIA?

A Bolívia é um daqueles destinos que conseguem surpreender quase todo mundo que decide dar uma chance ao país. Isso porque muita gente ainda imagina que a viagem se resume ao Salar de Uyuni ou pensa que a infraestrutura será complicada demais. No entanto, basta pesquisar um pouco mais para descobrir um país cheio de paisagens diferentes, cidades históricas, montanhas, lagos impressionantes e experiências que fogem bastante do turismo tradicional da América do Sul.

Além disso, a Bolívia tem uma característica que deixa a viagem ainda mais interessante: a sensação de estar conhecendo um lugar menos explorado pelos brasileiros. Enquanto destinos como Chile, Argentina e Peru aparecem o tempo todo nas redes sociais, a Bolívia ainda mantém aquele clima de descoberta. E justamente aí está parte da graça da viagem. Em poucos dias, é possível sair de cidades a mais de 3.500 metros de altitude para desertos, lagoas coloridas e cenários que parecem outro planeta.

Outro ponto que chama atenção é o custo-benefício. De forma geral, a Bolívia costuma ser mais barata do que outros destinos internacionais da América do Sul, principalmente em hospedagem, alimentação e passeios. Além disso, o país está logo ao lado do Brasil e possui voos relativamente acessíveis a partir de cidades como São Paulo. Dessa forma, acaba sendo uma viagem bem diferente sem precisar atravessar o mundo

QUAIS DOCUMENTOS SÃO NECESSÁRIOS PARA ENTRAR NA BOLÍVIA?

A boa notícia é que brasileiros não precisam de visto e nem passaporte para viajar à Bolívia a turismo. Ainda assim, é importante conferir toda a documentação antes da viagem para evitar problemas na imigração.

Veja o que é necessário para entrar no país em 2026:

  • RG em bom estado e emitido há menos de 10 anos OU passaporte válido;
  • Brasileiros não precisam de visto para viagens de turismo;
  • O documento deve estar com foto recente e em boas condições;
  • A Bolívia pode solicitar o Certificado Internacional de Vacinação contra Febre Amarela;
  • Menores de idade precisam seguir as regras de autorização de viagem do Brasil;
  • Seguro viagem não é obrigatório, mas é altamente recomendado, principalmente por causa da altitude;
  • Também vale levar comprovantes de hospedagem, passagem de volta e roteiro da viagem, apesar de nem sempre serem solicitados.

QUAL A MELHOR ÉPOCA PARA CONHECER A BOLÍVIA E QUANTOS DIAS FICAR?

De forma geral, a melhor época para conhecer a Bolívia depende bastante do tipo de experiência que você procura. Entre maio e setembro, o país passa pela estação seca, considerada a melhor temporada para explorar cidades como La Paz, Sucre e também o Salar de Uyuni. Nessa época, o céu costuma ficar mais aberto, as estradas apresentam melhores condições e as paisagens ficam incríveis para fotos. Por outro lado, as temperaturas podem cair bastante, principalmente durante a noite e nas regiões de altitude.

Já entre dezembro e março acontece o período de chuvas. Apesar disso, muita gente escolhe justamente esses meses para visitar o Salar de Uyuni por causa do famoso efeito espelho d’água, quando uma fina camada de água transforma o local em um dos cenários mais impressionantes do mundo. Ainda assim, vale saber que as chuvas podem dificultar alguns deslocamentos e alterar roteiros, principalmente nos tours mais longos pelo altiplano boliviano.

Em relação ao roteiro, o ideal é separar pelo menos 7 dias para conhecer os principais destinos da Bolívia com mais tranquilidade. Nesse período, já dá para combinar La Paz, Salar de Uyuni e o Lago Titicaca. No entanto, quem tiver entre 10 e 15 dias consegue incluir cidades como Sucre e Potosí, além de explorar a viagem de forma menos corrida.

Lago Titicaca

COMO É VISITAR O SALAR DE UYUNI, PRINCIPAL CARTÃO-POSTAL DA BOLÍVIA

Realizei essa viagem em agosto de 2019 e meu conselho é que se você tiver tempo para incluir apenas uma experiência no roteiro pela Bolívia, é que faça o tour de 3 dias pelo Salar de Uyuni.

Imagem: Camila Reis

Mais do que visitar o maior deserto de sal do mundo, a viagem é uma verdadeira expedição pelo altiplano boliviano. Durante o percurso, os turistas atravessam paisagens completamente diferentes entre si, passando por desertos, lagoas coloridas, formações rochosas, vulcões, fontes termais e pequenas comunidades isoladas. Não por acaso, muita gente considera esse um dos passeios mais impressionantes da América do Sul.

COMO FUNCIONA O PASSEIO AO SALAR DE UYUNI

A maioria dos tours funciona de forma semelhante. Os grupos viajam em veículos 4×4 acompanhados por um motorista que também atua como guia durante a expedição. A bagagem maior costuma seguir no teto do carro, enquanto os passageiros levam apenas os itens necessários para o dia. Além disso, o passeio inclui hospedagem e refeições. Ao longo dos três dias, os viajantes passam a noite em diferentes acomodações da região, incluindo os famosos hotéis construídos com blocos de sal.

O primeiro dia normalmente é dedicado ao próprio Salar de Uyuni. O roteiro costuma incluir o Cemitério de Trens, a vila de Colchani, onde o sal é processado artesanalmente, e a imensidão branca do salar. Também é comum visitar a Ilha Incahuasi, uma antiga formação rochosa coberta por cactos gigantes que surge no meio do deserto de sal. Para completar, muitos passeios terminam com um pôr do sol inesquecível em meio ao salar, quando o céu ganha tons de laranja, rosa e vermelho.

Nos dias seguintes, a aventura continua por uma região ainda menos conhecida. O percurso passa por lagoas de diferentes cores, como a Laguna Colorada, a Laguna Verde e outras lagoas altiplânicas repletas de flamingos. Além disso, os viajantes visitam o Deserto de Siloli, famoso pela Árvore de Pedra, os gêiseres Sol de Mañana e as águas termais de Polques. Em vários momentos, a sensação é de estar viajando por outro planeta.

CONCLUSÃO

Embora o Salar de Uyuni seja o grande protagonista, muita gente (inclusive eu) termina a viagem dizendo que as lagoas, os desertos e as paisagens do altiplano foram tão impressionantes quanto o próprio salar. Por isso, a recomendação é evitar os passeios bate e volta e reservar pelo menos três dias para a experiência completa. Nesse passeio você consegue conhecer alguns dos cenários mais incríveis da Bolívia e entender por que esse roteiro costuma ser o ponto alto da viagem.

As fotos clichês fazem parte da experiência no Uyuni – Imagem: Camila Reis

O QUE FAZER EM LA PAZ, A CAPITAL MAIS DIFERENTE DA AMÉRICA DO SUL

La Paz costuma ser a porta de entrada para muitos turistas na Bolívia e já causa impacto logo na chegada. Afinal, a cidade fica a mais de 3.500 metros de altitude e mistura ruas movimentadas, mercados tradicionais, construções antigas e um visual impressionante cercado pelas montanhas andinas. Além disso, muita gente se surpreende com o sistema de teleféricos da cidade, que acabou virando uma das atrações mais interessantes do destino. O Mi Teleférico conecta diferentes regiões de La Paz e oferece vistas incríveis durante o trajeto.

Entre os principais lugares para conhecer estão o Mercado das Bruxas, a Plaza Murillo, a Calle Jaén e o Valle de la Luna, famoso pelas formações rochosas que lembram uma paisagem lunar. Além disso, vale separar um tempo para caminhar sem pressa pelos bairros mais turísticos e experimentar pratos típicos da culinária boliviana. Como a altitude pode afetar bastante nos primeiros dias, o ideal é fazer passeios mais leves logo após chegar e manter uma rotina mais tranquila até o corpo se adaptar.

Em relação à hospedagem, muitos turistas preferem ficar nas regiões de Sopocachi e Centro, que concentram boa parte dos hotéis, restaurantes e atrações. Já sobre o roteiro, o ideal é reservar entre 2 e 4 dias para conhecer La Paz com calma e ainda fazer alguns bate e voltas nos arredores. Mesmo quem viaja principalmente pelo Salar de Uyuni costuma terminar a viagem dizendo que La Paz foi uma das cidades mais interessantes da Bolívia

CONHECER O LAGO TITITACA E A ILHA DO SOL

Na divisa entre a Bolívia e o Peru fica um dos lugares mais famosos da América do Sul: o Lago Titicaca. Além de ser considerado o lago navegável mais alto do mundo, o destino impressiona pela paisagem cercada por montanhas e pelo clima tranquilo, bem diferente das cidades mais movimentadas da Bolívia. A principal base para explorar a região é Copacabana, uma pequena cidade boliviana às margens do lago que costuma conquistar os turistas pelo ritmo mais calmo e pelas vistas incríveis.

Lago Tititaca na Bolivia

A partir de Copacabana saem os barcos para a Isla del Sol, um dos lugares mais bonitos do Lago Titicaca. Segundo a tradição andina, foi justamente ali que nasceu a civilização inca. Além disso, a ilha reúne pequenas trilhas, ruínas históricas, mirantes e vilarejos simples que deixam a experiência ainda mais especial. O passeio costuma ocupar o dia inteiro e muita gente considera esse um dos lugares mais diferentes da Bolívia justamente pela mistura entre natureza, história e isolamento.

O ideal é reservar pelo menos 2 dias para conhecer a região com mais calma e aproveitar o clima mais tranquilo do Lago Titicaca. Inclusive, muita gente prefere dormir uma ou duas noites em Copacabana antes de seguir viagem para outras cidades bolivianas ou para o Peru. Apesar da estrutura simples, o visual compensa bastante e entrega uma das paisagens mais bonitas do país.

SUCRE: A CIDADE COLONIAL MAIS CHARMOSA DA BOLÍVIA

Sucre costuma ser uma das maiores surpresas da viagem pela Bolívia. Conhecida como a capital constitucional do país, a cidade tem um clima completamente diferente de lugares como La Paz e Uyuni. Além da altitude mais agradável, Sucre chama atenção pelas construções brancas, pelas ruas tranquilas e pelo ritmo muito mais leve. Inclusive, muita gente acaba ficando mais dias do que tinha planejado justamente porque a cidade é gostosa de explorar sem pressa.

O centro histórico é um dos mais bonitos da Bolívia e reúne igrejas, casarões coloniais, praças e cafeterias espalhadas pelas ruas de paralelepípedo. Entre os principais lugares para conhecer estão a Plaza 25 de Mayo, a Catedral Metropolitana, o Convento de San Felipe Neri e a Casa de la Libertad, onde foi assinada a independência boliviana. Além disso, Sucre também é famosa pelas escolas de espanhol e pelo clima universitário, o que deixa a cidade mais jovem e movimentada em algumas regiões.

Catedral Metropolitana em Sucre

Outro passeio muito procurado é o Parque Cretácico, conhecido pelas enormes pegadas de dinossauros preservadas em uma parede de pedra. O local fica nos arredores da cidade e costuma surpreender bastante os turistas. Outro lugar legal de ir conhecer é a Universidad Mayor Real y Pontificia de San Francisco Xavier de Chuquisaca que tem uma arquitetura bastante diferente.

Em relação ao roteiro, o ideal é reservar pelo menos 2 ou 3 dias para conhecer Sucre com calma. A cidade não tem grandes atrações mirabolantes e talvez seja justamente isso que a torna tão especial. Além disso, Sucre também funciona como uma boa base para quem quer fazer bate e voltas para pequenas comunidades e mercados tradicionais da região.

COMO É VISITAR POTOSÍ E AS FAMOSAS MINAS DA BOLÍVIA

Potosí é um dos destinos mais diferentes e impactantes da Bolívia. A cidade fica a mais de 4 mil metros de altitude e carrega uma história diretamente ligada à mineração de prata durante o período colonial. Inclusive, durante muitos anos, Potosí foi considerada uma das cidades mais ricas do mundo graças ao Cerro Rico, a montanha que abasteceu a coroa espanhola com enormes quantidades de prata. Hoje, o destino impressiona justamente pelo contraste entre o passado grandioso e a realidade atual da região.

O grande destaque da visita são os tours pelas minas do Cerro Rico, uma experiência que costuma mexer bastante com os turistas. Durante o passeio, os visitantes entram nas minas acompanhados por guias locais e conhecem de perto as condições de trabalho dos mineradores bolivianos. Além disso, é comum passar por túneis estreitos, áreas com pouca iluminação e ambientes com bastante poeira. Por isso, muita gente considera esse um dos passeios mais intensos e reflexivos da viagem pela Bolívia.

Apesar do turismo ligado às minas ser o principal atrativo, Potosí também possui um centro histórico interessante, com igrejas, casarões coloniais e construções que ajudam a entender a importância da cidade no passado. Entre os destaques estão a Casa Nacional da Moeda, considerada uma das atrações históricas mais importantes da Bolívia, e a Plaza 10 de Noviembre, principal praça da cidade.

Centro de Potosí

O ideal é reservar pelo menos 1 ou 2 dias para conhecer Potosí. Além disso, muita gente combina a cidade com Sucre no mesmo roteiro, já que os dois destinos ficam relativamente próximos. Mesmo sendo um lugar mais simples e menos turístico do que outros pontos da Bolívia, Potosí entrega uma experiência muito diferente e ajuda a mostrar outro lado da história do país.

DICAS IMPORTANTES PARA VIAJAR PARA BOLÍVIA

1. Cuidado com a altitude: apesar de a Bolívia ser um destino relativamente acessível e fácil de organizar, alguns detalhes fazem bastante diferença durante a viagem. A altitude pode afetar bastante nos primeiros dias, principalmente em cidades como La Paz e Potosí. O chamado mal de soroche pode causar dor de cabeça, enjoo, cansaço e falta de ar. Por isso, tente fazer passeios mais leves logo na chegada e mantenha a hidratação em dia.

2. Leve roupas para diferentes temperaturas: o clima muda muito ao longo da viagem. Mesmo durante o dia fazendo calor em algumas regiões, as noites costumam ser geladas, especialmente no Salar de Uyuni. Dessa forma, vale levar roupas em camadas, casaco pesado, gorro e luvas dependendo da época da viagem.

3. Nem todos os lugares aceitam cartão: o dinheiro oficial da Bolívia é o boliviano e ainda existem muitos lugares que funcionam apenas com dinheiro em espécie. Isso acontece principalmente em cidades menores, restaurantes simples e durante os tours pelo Salar de Uyuni.

4. A internet pode falhar em regiões mais remotas: nas principais cidades, o sinal costuma funcionar relativamente bem. No entanto, durante os passeios pelo altiplano boliviano e em áreas mais afastadas, é comum passar horas sem internet ou sinal de celular.

5. Prepare-se para deslocamentos longos: apesar de a Bolívia não parecer tão grande no mapa, muitos trajetos acabam demorando mais do que o esperado. Isso porque várias estradas passam por regiões montanhosas e algumas rotas ainda possuem estrutura simples.

6. Vá com espírito de aventura: diferente de destinos mais turísticos da América do Sul, a Bolívia ainda preserva um turismo menos comercial e mais autêntico. Justamente por isso, a viagem pode ter alguns imprevistos, mas também entrega experiências muito mais diferentes e marcantes.

PERGUNTAS E RESPOSTAS FREQUENTES SOBRE A BOLÍVIA

1. A Bolívia é um destino barato?

Sim. De forma geral, a Bolívia costuma ser um dos destinos mais baratos da América do Sul para brasileiros. Hospedagem, alimentação e transporte normalmente possuem preços mais baixos do que em países como Chile e Argentina.

2. O Salar de Uyuni vale realmente a pena?

Vale muito. Inclusive, para muita gente, o passeio pelo Salar de Uyuni acaba sendo uma das experiências mais impressionantes da vida. Os tours de 3 dias pelo altiplano boliviano costumam ser os mais recomendados.

3. É seguro viajar para a Bolívia?

No geral, sim. Ainda assim, como em qualquer destino turístico, vale tomar cuidado com golpes, furtos e pertences pessoais, principalmente em regiões movimentadas de La Paz.

4. Dá para conhecer a Bolívia com crianças?

Depende bastante do roteiro e da adaptação à altitude. Destinos como La Paz e Uyuni podem ser mais cansativos para crianças pequenas. Ainda assim, muitas famílias fazem a viagem sem grandes dificuldades.

5. Qual cidade usar como porta de entrada na Bolívia?

La Paz costuma ser a principal porta de entrada para turistas brasileiros por conta da quantidade de voos e da estrutura turística. No entanto, algumas pessoas também começam a viagem por Santa Cruz de la Sierra ou até combinam Bolívia com o Atacama, no Chile.