Ao caminhar pela V&A Waterfront, você avisa, quase inevitavelmente, um prédio bem excêntrico, enorme e, especialmente, convidativo. Construído em 1924 e localizado de forma estratégica no cais da Cidade do Cabo , um antigo silo de grãos existiu e então foi abandonado. Até que, em 2017, o prédio e seus 42 tubos de concreto de 33 metros de altura passaram por uma reforma. E hoje, ao entrar, você encontrará arte africana no seu mais novo grau.

Em outras palavras, a arte contemporânea africana é celebrada neste espaço histórico: primeiro grande museu na África dedicado a essa temática. É a maior coleção de arte moderna africana no mundo e composto, única e exclusivamente, por artistas africanos.   

A história da arte africana data de 1.500 a.C, o que significa que o continente produz arte desde que o mundo é mundo. Isso também significa que se, de uma maneira distorcida, muitos institutos europeus detêm de acervos artísticos africanos por admiração, é um marco importante que, hoje, exista um lugar como o museu Zeitz Mooca. Um lugar para guardar e honrar os artistas africanos no seu próprio continente. Além disso, um lugar para afirmar a necessidade de que a África conte sua própria história. Sem mencionar a possibilidade de conhecer arte de outros lugares da África para além do’ eixo artístico tradicional’.

Assim sendo, com todas essas competências mencionadas, há quem diga que o museu Zeitz se trata da maior atração cultural do país. 

 

DO LADO DE DENTRO DO ZEITZ MOOCA

Pelo contexto histórico, social e cultural africano, o museu traz obras muito fortes e contundentes, coloridas e com uma estética particular.

Em outras palavras, críticas ao senso comum e aos problemas sociais estão presentes. Provindas de artistas ilustres como o sul-africano William Kentridge (conhecido por suas gravuras, pinturas e produções audiovisuais, que inclusive tem produções no acervo de Inhotim). Aliás, o museu dedica dois andares para exposições temporárias, que se renovam aproximadamente a cada quatro meses. Portanto, mesmo visitando a Cidade do Cabo várias vezes, sempre vale a pena verificar qual exposição está em exibição.

Há também, o acervo principal do museu proporcionado pelo alemão Jochen Zeitz que cede sua coleção particular para construir essa instituição cultural sem fins lucrativos e quem dá nome ao museu. Zeitz constitui sua coleção tendo em mente a eventual criação do museu e quem teve papel importante na formação desta coleção é o atual curador-chefe e diretor executivo do museu, o sul-africano Mark Coetzee.

No grupo de curadores criativos e conselheiros, você encontrará também os nomes Koyo Kouoh e Gabi Ngcobo, Julien CBE, Azu Nwagbogu, Gavin Jantjes. Saiba mais sobre cada um no site do próprio museu.

Além disso, o espaço conta com centro de fotografia, livraria, sala de leitura, práticas performáticas, educação artística, uma parte dedicada a ‘Imagens em movimento” e muito mais. São 6000 m expositivos, distribuídos em 100 galerias que foram desenhados em torno de um átrio (pátio central das casas gregas e romanas),  de 27 m de altura. 

 

DO LADO DE FORA

À primeira vista, uma das partes mais chamativas do prédio arquitetado pelo britânico Thomas Heatherwick são as janelas abaulentas – côncavas, altas e largas, para facilitar o escoamento de água. Conte seis janelas e você estará contemplando o luxuoso Silo Hotel que fica acima do museu e, por sua vez, dá vista para o complexo portuário e além. Tome um café no bar localizado no rooftop do hotel e aprecie a paisagem única. 

 No mais, o museu está aberto para visitação de quinta à domingo, das 10h às 18h, por U$S14,6 (compre pelo site) . Peça pelo audio tour na entrada e aproveite essa experiência única e inesquecível.