St. Augustine fica no nordeste da Flórida, a cerca de duas horas de Orlando, e guarda uma história que antecede a própria formação dos Estados Unidos. Fundada pelos espanhóis em 1565, a cidade tem cerca de 16 mil habitantes, segundo estimativa do Censo dos Estados Unidos para 2025. Suas ruas estreitas, construções históricas, lojas independentes e restaurantes se concentram, em boa parte, no centro antigo, facilitando ao turista a explorar tudo a pé. Além da arquitetura colonial, o destino tem movimento durante o dia e uma atmosfera diferente depois que escurece. Visitei a cidade e me surpreendi com sua identidade, bastante diferente da que encontrei em outros lugares da Flórida. Para quem pretende conhecê-la em poucas horas, reuni os principais pontos para organizar um passeio de um dia sem deixar de lado o que torna St. Augustine tão interessante.
HISTÓRIA DE ST. AUGUSTINE
St. Augustine foi fundada em 8 de setembro de 1565 pelo explorador espanhol Pedro Menéndez de Avilés, que chegou à região em nome da Coroa espanhola. A ocupação tinha um objetivo estratégico: estabelecer uma base na América do Norte e proteger os territórios espanhóis das incursões de outras potências europeias. A presença francesa na costa da Flórida, em particular, aumentou a urgência dessa iniciativa. Entretanto, a região já era habitada por povos indígenas, entre eles os timucuas, que sofreram profundas consequências com a chegada dos colonizadores, incluindo epidemias, conflitos e a perda de seus territórios.
O domínio espanhol durou grande parte do período colonial, mas a Flórida também passou pelas mãos dos britânicos entre 1763 e 1783. Depois de retornar ao controle espanhol, o território foi transferido aos Estados Unidos em 1821. Essas mudanças políticas ajudam a explicar parte da história que ainda pode ser observada nas construções de St. Augustine. Um dos exemplos mais importantes é o Castillo de San Marcos, fortaleza erguida em pedra de coquina, um material formado por fragmentos de conchas, cuja construção começou em 1672. A estrutura servia à defesa do assentamento e permanece como uma das principais referências do passado colonial da cidade.
COMO CHEGAR ST. AUGUSTINE
DE CARRO
Para quem está viajando pela Flórida, o carro é a opção mais prática para chegar a St. Augustine, especialmente em um bate e volta. A cidade fica próxima à Interstate 95 (I-95), uma das principais rodovias da costa leste dos Estados Unidos, com acesso tanto a partir de Jacksonville quanto de Orlando. O trajeto desde Orlando costuma levar entre uma hora e meia e duas horas, enquanto Jacksonville fica a aproximadamente 50 minutos, dependendo do trânsito. Além da facilidade de deslocamento, estar de carro permite organizar melhor os horários e aproveitar o centro histórico sem depender de conexões de transporte público.
DE AVIÃO
St. Augustine tem um aeroporto regional, o Northeast Florida Regional Airport (UST), voltado principalmente à aviação privada, sem oferta regular de voos comerciais. Para quem chega de avião, o Jacksonville International Airport (JAX) costuma ser a alternativa mais prática, a aproximadamente 50 minutos de carro do centro histórico. O Orlando International Airport (MCO) também atende quem pretende combinar a visita com outros destinos da Flórida, mas exige um deslocamento rodoviário mais longo. Em ambos os casos, recomendo planejar o transporte até St. Augustine com antecedência, seja com carro alugado ou serviço de traslado.
- Foto: Matheus Vilela
- Foto: Matheus Vilela
O QUE ENCONTRAR EM ST. AUGUSTINE?
HISTÓRIA E ARQUITETURA
St. Augustine tem sua história como seu principal atrativo. No centro histórico, a St. George Street concentra lojas, restaurantes e edifícios antigos. Nas proximidades, a Plaza de la Constitución preserva uma das praças mais tradicionais da cidade. Já o Castillo de San Marcos se destaca pelas muralhas maciças de um pedra formada por fragmentos de conchas – coquina. A região também abriga igrejas e construções do período colonial espanhol, muitas delas acessíveis a pé.
Outro destaque é o Flagler College, instalado no antigo Hotel Ponce de León, inaugurado em 1888. O empresário Henry Flagler teve papel crucial na transformação de St. Augustine em destino de luxo para visitantes endinheirados. Além disso, o Lightner Museum ocupa o antigo Hotel Alcazar, construído no mesmo período. Os dois edifícios tiveram um grande papel para o turismo, consequentemente, contribuiu também para o desenvolvimento da cidade no fim do século XIX.
PASSEIOS, COMÉRCIO E ATRAÇÕES AO AR LIVRE
Para além dos monumentos, St. Augustine oferece passeios pela orla da Matanzas Bay, com vista para a água e para a Bridge of Lions, que liga o centro à ilha de Anastasia. Também existem passeios guiados de bonde e barco, alternativas para conhecer diferentes áreas sem depender exclusivamente de caminhadas. Para quem tem pouco tempo, sugiro priorizar o centro histórico e escolher as atrações mais alinhadas com os próprios interesses.
O comércio local também merece espaço no roteiro. Nas ruas St. George e Aviles, pequenas lojas, galerias de arte e estabelecimentos independentes ocupam o espaço junto com edifícios históricos. Já o Fountain of Youth Archaeological Park está associado à lenda da fonte da juventude, enquanto o St. Augustine Lighthouse oferece uma vista panorâmica da região. Em um bate e volta, recomendo selecionar alguns pontos principais e reservar tempo para caminhar sem pressa. Assim, fica mais fácil descobrir detalhes que passam despercebidos em um roteiro muito apertado.
UMA DAS CIDADES MAIS ASSOMBRADAS DO PAÍS?
St. Augustine também é conhecida pelas histórias de fantasmas que cercam os seus edifícios antigos, cemitérios e pontos históricos. Fundada há mais de quatro séculos, a cidade atravessou anos de conflitos, epidemias e disputas territoriais, acontecimentos que alimentaram lendas transmitidas ao longo das gerações. Lugares como o Castillo de San Marcos e o St. Augustine Lighthouse aparecem com frequência nos relatos sobre supostas aparições. Essas histórias fazem parte do folclore local, mas não há comprovação científica de fenômenos sobrenaturais associados a esses lugares. A fama de cidade assombrada, entretanto, tornou-se mais um aspecto curioso de seu patrimônio histórico.
Essa reputação também ganhou espaço no turismo. Depois do anoitecer, empresas locais oferecem passeios guiados por ruas antigas e locais associados a relatos paranormais, com percursos a pé ou em bondes turísticos. Os guias costumam fazer episódios documentados da história da cidade junto com lendas e histórias de fantasmas, criando uma proposta diferente das visitas convencionais aos monumentos. Para quem tem interesse nesse universo, o passeio pode ser uma maneira interessante de conhecer outro lado de St. Augustine. Ainda assim, a cidade está longe de ser um destino de terror: sua fama está ligada ao imaginário popular e à forma como o passado alimenta histórias que continuam despertando a curiosidade dos visitantes.
ONDE COMER EM ST. AUGUSTINE
A região do centro histórico tem opções para diferentes gostos, desde restaurantes tradicionais até endereços que exploram a culinária regional. Uma das escolhas mais conhecidas é o Columbia Restaurant, na St. George Street, especializado em pratos espanhóis e cubanos. O cardápio inclui paella, arroz com frango e a tradicional salada 1905, servida na casa. Para quem prefere frutos do mar e uma refeição com vista para a água, o O.C. White’s Restaurant fica próximo à baía. Já o Harry’s Seafood Bar & Grille é outra opção na área histórica, com pratos inspirados na culinária de Nova Orleans e do sul dos Estados Unidos. Assim, dá para escolher entre sabores espanhóis e cubanos, frutos do mar e receitas típicas do sul americano
Para a sobremesa, recomendo dois lugares: a Ben & Jerry’s, na St. George Street, é uma opção prática para quem gosta dos sorvetes da marca e quer fazer uma pausa durante o passeio pelo centro histórico. Outra alternativa é o The Sweet Spot, que oferece combinações de sorvetes, coberturas e milk-shakes. Como os dois estabelecimentos ficam na região central, é fácil incluí-los no roteiro sem precisar de se afastar das principais atrações.
ONDE FAZER COMPRAS EM ST. AUGUSTINE?
A St. George Street é o principal endereço para fazer compras no centro histórico de St. Augustine. Ao longo da rua, há lojas de souvenirs, camisetas, acessórios e produtos relacionados à história local. Também aparecem boutiques de roupas, joalherias e estabelecimentos com peças de artesanato. Como a rua tem circulação exclusiva de pedestres, é fácil entrar nas lojas durante o passeio, sem precisar reservar um período específico para as compras.
Outra rua que merece atenção é a Aviles Street, onde você encontrará galerias de arte e pequenos negócios locais. Na região de Uptown, há ainda antiquários e lojas de decoração. Quem procura grandes redes internacionais de moda, como Zara e H&M, não encontrará a mesma oferta de cidades maiores. Em St. Augustine, o comércio tem uma presença mais forte de lojas independentes, com produtos ligados à cidade e marcas de menor alcance. Por isso, sugiro explorar as ruas próximas à St. George Street, onde outras lojas aparecem fora do trecho mais movimentado.
O QUE FAZER EM ST. AUGUSTINE EM UM DIA?
PRIMEIRO PERÍODO DO DIA
Para conhecer St. Augustine em um dia, começaria deixando o carro em um dos estacionamentos públicos do centro histórico. A partir dali, dá para fazer boa parte do percurso a pé, sem precisar organizar cada deslocamento com antecedência. O primeiro trecho pode incluir o antigo Hotel Ponce de León, hoje sede do Flagler College, e a região da prefeitura. A arquitetura desses edifícios já dá uma boa ideia da identidade local, marcada pela herança espanhola e pelo desenvolvimento turístico da Flórida no fim do século XIX. Em seguida, vale seguir pela Aviles Street, uma das ruas mais antigas da cidade, com fachadas históricas, galerias e cantinhos que rendem boas fotografias.
Continuando a caminhada, o caminho passa por áreas verdes e leva à região da St. George Street, principal eixo comercial do centro histórico. Antes de chegar à rua, porém, vale fazer uma parada na Cathedral Basilica of St. Augustine. Fundada originalmente no século XVIII, ela é considerada a paróquia católica mais antiga dos Estados Unidos contíguos, embora o edifício atual tenha passado por reconstruções. O interior merece alguns minutos de atenção, tanto pelos detalhes arquitetônicos quanto pela importância histórica. Depois, a St. George Street é um bom lugar para desacelerar: há restaurantes, cafés, lojas e espaços para sentar sem pressa. Para o almoço, a escolha pode ficar entre os restaurantes já mencionados no guia, conforme a preferência por uma refeição rápida ou uma pausa mais longa.
SEGUNDO PERÍODO DO DIA
No fim da tarde, seguiria para o Castillo de San Marcos. A fortaleza espanhola, cuja construção começou em 1672, ganha outro aspecto quando a luz fica mais baixa e a baía passa a fazer parte da paisagem. O horário do pôr do sol no local fica muito bonito para fotografar o entorno, além de observar a movimentação à beira-mar. Vale conferir os horários de funcionamento antes da visita, já que o acesso ao interior do forte pode terminar antes do anoitecer. Mesmo que não seja possível entrar nesse horário, a área externa oferece uma boa perspectiva da construção e da orla.
À noite, o roteiro pode terminar de volta à St. George Street e às ruas próximas à margem do rio Matanzas. A região mantém movimento depois que as principais atrações históricas fecham, com opções para jantar, tomar alguma coisa ou simplesmente caminhar pelo centro iluminado. Essa última parte não precisa seguir um itinerário rígido: depois de um dia percorrendo os principais pontos, deixar algum tempo livre ajuda a aproveitar a cidade em outro ritmo. Claro que em apenas um dia, não dá para conhecer tudo o que St. Augustine oferece, mas esse percurso já te deixa com uma ideia de como é essa maravilhosa cidade na Flórida.
ST. AUGUSTINE À NOITE
St. Augustine continua movimentada depois que escurece, sobretudo na região do centro histórico. A iluminação dos edifícios antigos muda a aparência das ruas, enquanto restaurantes, bares e lojas mantêm o movimento de turistas e moradores. A St. George Street continua sendo um dos pontos mais procurados para caminhar, mas as ruas próximas também merecem atenção. Para quem visita a cidade durante o dia, recomendo reservar algum tempo à noite para observar a cidade com uma outra perspectiva.
Além disso, a cidade tem opções para quem prefere prolongar o passeio. Há bares com música ao vivo e estabelecimentos que recebem visitantes até mais tarde, embora o movimento varie conforme o dia da semana e a época do ano. Os passeios noturnos sobre histórias de fantasmas também são populares e oferecem outra maneira de conhecer o passado local. Por outro lado, St. Augustine não tem a vida noturna de grandes cidades da Flórida, com muitas casas noturnas e festas que avançam até a madrugada. A proposta é mais tranquila e familiar, com restaurantes, bares e pessoas andando pelas ruas.
ONDE FICAR EM ST. AUGUSTINE?
Para quem pretende passar a noite na cidade – o que estaria muito legal também – , há opções que vão de hotéis históricos a hospedagens mais econômicas. O Casa Monica Resort & Spa é uma escolha de categoria superior, instalado em um edifício histórico de 1888. Além do spa e da piscina, fica no centro histórico, a uma curta caminhada de atrações como o Flagler College e a St. George Street.
Para ficar perto dos principais pontos turísticos, o Hilton St. Augustine Historic Bayfront tem localização próxima à baía e facilita você explorar boa parte do centro a pé. Já quem procura uma alternativa mais econômica pode considerar o Budget Inn St. Augustine, situado na ilha de Anastasia, do outro lado da Bridge of Lions. O estabelecimento conta com um estacionamento gratuito, embora seja importante comparar as tarifas e considerar a caminhada até as atrações.
EVENTOS EM ST. AUGUSTINE
Ao longo do ano, St. Augustine recebe eventos ligados à história local, à música e às principais datas comemorativas dos Estados Unidos. Um dos destaques é o Nights of Lights, celebração de Natal em que o centro histórico ganha iluminação especial. A programação costuma começar em novembro e seguir até janeiro, com passeios noturnos, apresentações e atividades sazonais.
Outra data importante é o 4 de Julho, feriado da Independência dos Estados Unidos. A programação anual inclui o evento Fireworks Over the Matanzas, com música na Plaza de la Constitución e fogos sobre a baía. No fim do ano, também há comemorações de Ano-Novo, incluindo fogos na região da praia. Além dessas datas, o calendário local inclui festivais de arte, apresentações musicais, eventos culturais e atividades de Halloween.
QUAL É A MELHOR ÉPOCA PARA VISITAR ST. AUGUSTINE
A escolha depende do tipo de viagem, mas outubro costuma ter um equilíbrio interessante para conhecer St. Augustine. Nessa época, o calor intenso do verão começa a diminuir, deixando os passeios a pé mais agradáveis. Porém, o frio não chegou totalmente. Assim, ainda há espaço para aproveitar a região à beira-rio e as áreas externas, enquanto as noites podem pedir uma roupa leve de frio. Além disso, outubro registra menos chuva do que os meses de agosto e setembro, embora ainda seja importante acompanhar a previsão do tempo.
MINHA OPINIÃO SOBRE ST. AUGUSTINE
St. Augustine foi uma das cidades mais interessantes que conheci na Flórida. Mesmo sendo relativamente pequena, apresenta uma identidade bastante diferente daquela encontrada em muitos outros destinos americanos, tanto pela arquitetura quanto pela história e pelo ritmo das ruas – parecendo muito a Europa em diversos aspectos: arquitetura, atmosfera, estilo de vida e outros. A cidade tem movimento, atrações e estrutura turística, mas preserva uma escala que permite conhecê-la sem a sensação de estar em um grande centro. Essa combinação é um dos seus pontos fortes, especialmente para quem procura algo além dos destinos mais conhecidos da Flórida. É uma cidade que pode agradar a famílias, casais, grupos de amigos e viajantes de diferentes idades, com atividades que vão da exploração histórica aos passeios ao ar livre. No conjunto, St. Augustine merece um lugar de destaque entre as cidades que conheci nos Estados Unidos.































