Quem viaja ao exterior pode acabar pagando uma taxa de saída do país sem nem perceber. Em muitos destinos, esse valor já está incluído no preço da passagem aérea. No entanto, alguns lugares ainda exigem o pagamento separado ou mantêm cobranças específicas para financiar aeroportos, infraestrutura e até projetos ligados ao turismo. Mas, afinal, por que essa taxa existe e quais países adotam essa prática?

O QUE É A TAXA DE SAÍDA DO PAÍS
A taxa de saída do país é uma cobrança aplicada quando o viajante deixa determinado destino, normalmente em voos internacionais. Em muitos casos, o turista nem percebe o pagamento, já que o valor costuma aparecer embutido no preço da passagem aérea. No entanto, alguns países e aeroportos ainda mantêm cobranças separadas, o que pode gerar surpresa na hora do embarque.
Na prática, essa taxa pode receber nomes diferentes em cada lugar. No Japão, por exemplo, ela aparece como International Tourist Tax, enquanto no Reino Unido existe o Air Passenger Duty. Já no México, a cobrança é conhecida como TUA, ou Tarifa de Uso de Aeroporto, e cada aeroporto define seu próprio valor.
POR QUE ALGUNS PAÍSES COBRAM ESSA TAXA?
Em geral, os governos justificam a taxa de saída do país como uma forma de financiar aeroportos, infraestrutura turística, controle de fluxo de visitantes e até ações ambientais. Além disso, em destinos que recebem muitos turistas, a cobrança também pode ajudar a compensar o impacto causado pelo grande volume de viajantes.
O Japão é um bom exemplo desse movimento. O país criou a taxa em 2019 e, agora, decidiu aumentar o valor de 1.000 para 3.000 ienes a partir de 1º de julho de 2026. A medida vem em meio ao crescimento do turismo internacional e busca reforçar investimentos em infraestrutura e gestão do excesso de visitantes.
No entanto, a cobrança também gera críticas. Entidades do setor aéreo costumam argumentar que essas taxas encarecem as viagens e podem pesar mais no bolso do passageiro comum. Por isso, especialistas defendem que os destinos expliquem melhor para onde vai o dinheiro arrecadado.
QUAIS PAÍSES COBRAM TAXA DE SAÍDA?
Vários destinos adotam algum tipo de taxa de saída do país, mesmo que o nome mude de um lugar para outro. No Japão, a cobrança será de 3.000 ienes por pessoa a partir de julho de 2026 e, em geral, já aparece incluída no bilhete aéreo.
No México, os viajantes pagam a TUA, uma tarifa pelo uso das instalações aeroportuárias. Ela não pertence à companhia aérea e pode ser paga na compra da passagem ou antes do check-in, dependendo da empresa. Além disso, cada aeroporto define o próprio valor.
O Reino Unido também cobra o Air Passenger Duty, imposto que varia conforme a distância do voo e a classe da passagem. As novas tarifas para o período iniciado em 1º de abril de 2026 já foram publicadas pelo governo britânico.
Na Austrália, a cobrança aparece como Passenger Movement Charge. Atualmente, ela custa 70 dólares australianos, mas o orçamento federal prevê aumento para 80 dólares australianos a partir de 1º de janeiro de 2027.
Além desses exemplos, países como Argentina, República Dominicana, Egito, Quênia e Maurício também aparecem entre os destinos com taxas relevantes sobre passageiros internacionais. Portanto, antes de viajar, vale conferir se o valor já está incluído na passagem ou se existe alguma cobrança separada no embarque.
PRECISO PAGAR ESSA TAXA NO AEROPORTO?
Na maioria das viagens internacionais, a resposta é não. Atualmente, a maior parte dos países já inclui a taxa de saída no valor da passagem aérea, e a companhia faz o repasse às autoridades responsáveis. Dessa forma, o passageiro sequer percebe a cobrança durante o embarque e não precisa enfrentar filas extras ou procurar um guichê específico antes de deixar o país.
Ainda assim, vale a pena conferir as regras do destino antes de viajar. Alguns países ou aeroportos podem manter cobranças separadas em situações específicas, especialmente em voos fretados, embarcações, travessias terrestres ou quando a passagem é emitida por determinadas companhias. Por isso, a recomendação é verificar as orientações da companhia aérea e das autoridades locais. Assim, você evita imprevistos e garante que a última etapa da viagem seja tão tranquila quanto o restante do roteiro.

POR QUE ESSA COBRANÇA GERA POLÊMICA?
Os governos que adotam a taxa de saída afirmam que os recursos arrecadados ajudam a financiar aeroportos, melhorar a infraestrutura turística, preservar atrações naturais e manter serviços utilizados pelos visitantes. Em destinos que recebem um grande volume de turistas, a cobrança também é vista como uma forma de compensar os impactos causados pelo aumento da demanda sobre transporte, limpeza, segurança e conservação de espaços públicos.
Por outro lado, a Associação Internacional de Transporte Aéreo critica esse tipo de cobrança e argumenta que ela encarece as viagens sem trazer benefícios proporcionais para os passageiros. Especialistas, no entanto, defendem que a transparência faz toda a diferença. Quando os viajantes sabem exatamente por que estão pagando e como o dinheiro será utilizado, a aceitação costuma ser maior. Por isso, muitos defendem que governos e aeroportos comuniquem de forma clara a finalidade dessas taxas, evitando que elas sejam vistas apenas como mais um custo da viagem.
COMENTÁRIO
Nos últimos anos, diversos destinos passaram a adotar novas cobranças voltadas aos turistas. Além da taxa de saída do país, já existem taxas de sustentabilidade, preservação ambiental, acesso a áreas protegidas e contribuições para combater os impactos do turismo em cidades muito visitadas. Países como Japão, Indonésia, Nova Zelândia e destinos europeus estão entre os que revisaram ou criaram esse tipo de cobrança recentemente.
Por isso, antes de embarcar para uma viagem internacional, vale a pena pesquisar não apenas a documentação exigida, mas também as taxas que podem ser cobradas durante a viagem. Em muitos casos, esses valores já estão incluídos na passagem ou na hospedagem. No entanto, algumas cobranças ainda precisam ser pagas separadamente. Esse cuidado ajuda a evitar gastos inesperados e permite planejar o orçamento com mais tranquilidade.
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