Símbolo de luxo, elegância e mistério, o Expresso do Oriente atravessou séculos, inspirou livros, filmes e transformou a forma de viajar pela Europa. Ao longo desse período, o lendário trem tornou-se um dos maiores ícones da história do turismo ferroviário.

COMO SURGIU O EXPRESSO DO ORIENTE

O Expresso do Oriente nasceu em 1883 por iniciativa do engenheiro belga Georges Nagelmackers, fundador da Compagnie Internationale des Wagons-Lits. Além disso, após conhecer os vagões-leito nos Estados Unidos, ele decidiu criar um trem que unisse diferentes países europeus com conforto, sofisticação e serviços inéditos para a época.

Logo na viagem inaugural, o trem partiu de Paris em direção ao leste europeu. Inicialmente, parte do percurso até Constantinopla (atual Istambul) ainda exigia travessias de barco. Entretanto, a partir de 1889, a ferrovia passou a ligar todo o trajeto, permitindo que os passageiros viajassem exclusivamente sobre trilhos.

O TREM QUE REVOLUCIONOU AS VIAGENS DE LUXO

Naquela época, viajar longas distâncias costumava ser cansativo e desconfortável. Por isso, o Expresso do Oriente revolucionou o setor ferroviário ao oferecer uma experiência semelhante à de um hotel cinco estrelas.

Os passageiros encontravam:

  • Cabines privativas;
  •  Vagões-restaurante com gastronomia refinada;
  • Poltronas extremamente confortáveis;
  •  Decoração em madeira nobre;
  • Cortinas de veludo;
  •  Cristais e porcelanas;
  • Serviço personalizado durante toda a viagem.

Além disso, o trem oferecia aquecimento, iluminação moderna para a época e um nível de conforto que poucos hotéis conseguiam proporcionar no final do século XIX.

 

A ROTA QUE CRUZAVA A EUROPA

O percurso original ligava Paris a Constantinopla, atual Istambul, atravessando algumas das cidades mais importantes da Europa.

Ao longo da viagem, o trem passava por destinos como:

  •  Paris (França)
  •  Munique (Alemanha)
  •  Viena (Áustria)
  •  Budapeste (Hungria)
  •  Bucareste (Romênia)
  • Sófia (Bulgária)
  •  Istambul (Turquia)

O TREM DOS REIS, DIPLOMATAS E CELEBRIDADES

Graças ao alto padrão de luxo, o Expresso do Oriente rapidamente se tornou o transporte preferido da elite europeia.

Ao longo das décadas, embarcaram em seus vagões:

  • membros da realeza;
  • diplomatas;
  •  empresários;
  • artistas;
  •  escritores;
  •  políticos;
  •  milionários.

Consequentemente, viajar no trem tornou-se símbolo de prestígio social. Em determinados períodos, uma única passagem custava o equivalente a vários meses ou até um ano do salário de um trabalhador comum.

O MISTÉRIO TAMBÉM FEZ PARTE DA HISTÓRIA

Além do luxo, o Expresso do Oriente ficou conhecido pelas inúmeras histórias envolvendo espionagem, política internacional e mistérios. Durante o século XX, agentes secretos, militares e diplomatas utilizaram o trem para atravessar fronteiras com rapidez e discrição. Dessa forma, o serviço ganhou o apelido de “Trem dos Espiões”. Inclusive, alguns crimes reais aconteceram durante sua operação, aumentando ainda mais a aura de mistério que cerca sua história até hoje.

AGATHA CHRISTIE E O SUCESSO MUNDIAL

Entretanto, foi a escritora britânica Agatha Christie quem eternizou o Expresso do Oriente na literatura. Em 1934, ela publicou o romance “Assassinato no Expresso do Oriente”, considerado um dos maiores clássicos da ficção policial. Além disso, a obra, protagonizada pelo famoso detetive Hercule Poirot, vendeu milhões de exemplares, recebeu diversas adaptações para o cinema e consolidou definitivamente o trem como um dos maiores símbolos da cultura popular mundial.

O EXPRESSO DO ORIENTE NO CINEMA

Além da literatura, Hollywood também ajudou a manter viva a fama do trem.

Entre as produções mais conhecidas estão:

  •  “Assassinato no Expresso do Oriente” (1974);
  •  “Assassinato no Expresso do Oriente” (2017);
  • participações em filmes da franquia James Bond;
  • documentários sobre turismo ferroviário e história europeia.

O RENASCIMENTO DO ÍCONE

Apesar do fim da operação tradicional, o mito nunca desapareceu. Assim, em 1982, empresários restauraram vagões originais das décadas de 1920 e 1930 e criaram o Venice Simplon-Orient-Express, recriando a atmosfera da era de ouro das viagens ferroviárias.

Hoje, os passageiros embarcam em uma experiência que combina:

  •  suítes luxuosas;
  • restaurantes sofisticados;
  • serviço de mordomo;
  •  decoração Art Déco restaurada;
  • paisagens deslumbrantes da Europa.

O trem percorre rotas entre cidades como Paris, Veneza, Londres, Viena, Praga, Budapeste e outras capitais europeias.

NOVOS PROJETOS LEVAM A MARCA ORIENT EXPRESS PARA O FUTURO

Nos últimos anos, a marca Orient Express iniciou uma nova fase de expansão. Ao mesmo tempo, a empresa anunciou novos projetos ferroviários e também entrou no setor marítimo com o lançamento do veleiro de luxo Orient Express Corinthian. Com isso, reforçou sua estratégia de oferecer experiências exclusivas de viagem em diferentes meios de transporte.

 

QUANTO CUSTA VIAJAR NO EXPRESSO DO ORIENTE?

Os valores variam conforme o roteiro, a categoria da cabine e a época do ano.

Em geral:

  •  viagens de uma noite custam vários milhares de euros por pessoa;
  • roteiros mais longos, como Paris–Istambul, podem ultrapassar dezenas de milhares de euros nas suítes mais exclusivas.

Ainda assim mesmo com preços elevados, muitas viagens esgotam rapidamente devido à procura de turistas interessados em viver uma das experiências ferroviárias mais famosas do planeta.

UM PATRIMÔNIO DA HISTÓRIA DAS VIAGENS

Mais de 140 anos após sua criação, o Expresso do Oriente continua despertando fascínio em viajantes do mundo inteiro. Sua combinação de luxo, história, arquitetura, gastronomia e romantismo transformou o trem em muito mais do que um meio de transporte. Afinal, ele representa uma época em que viajar era uma experiência tão importante quanto chegar ao destino, preservando um legado que segue inspirando novas gerações de apaixonados por turismo ferroviário.

CONHEÇA ISTAMBUL

Istambul é um museu vivo, com um passado antigo e grandioso que se combina com a certeza de que os tempos mudaram. É também dona de um presente vibrante — até bastante intenso — daquele que por vezes se define pela não definição: o caos.

Embora não seja a capital da Turquia, Istambul já foi a capital de dois dos maiores impérios da humanidade: o Império Bizantino, que começou lá em 395 D.C., seguido pelo Império Otomano — que, por sua vez, terminou só em 1922. Ainda, foi palco da mudança muito recente para República da Turquia (que transformou até seu idioma oficial) e da confluência de muitas culturas — tanto pelo último Império que se expandiu por três continentes como pelo fato de que Istambul tem um pé na Europa e um pé na Ásia. Hoje, italianos, armênios, romanos e gregos formam, especialmente, a identidade turca.

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