Depois de anos lidando com superlotação, acidentes e pressão ambiental no Himalaia, o Nepal decidiu mudar a forma como o turismo de alta montanha funciona. Em fevereiro de 2026, a Assembleia Nacional aprovou o Tourism Bill, 2081, criando a base legal para novas regras de acesso ao Monte Everest.

Desta vez, a proposta não trata apenas de organizar o turismo. O objetivo principal é reduzir riscos humanos, proteger o ambiente extremo da montanha e garantir que a atividade continue sustentável no longo prazo.

O QUE MUDA NA PRÁTICA

Embora a regulamentação completa ainda dependa de normas complementares do governo, o novo marco legal já aponta direções claras.

O projeto estabelece:

  • comprovação prévia de experiência em montanhas de grande altitude, exigindo que o montanhista já tenha alcançado ao menos um pico acima de 7.000 metros em território nepalês;

  • apresentação obrigatória de certificado médico emitido no mês anterior ao pedido da licença, válida para todos os integrantes da expedição;

  • monitoramento mais rígido das expedições e dos operadores turísticos autorizados;

  • responsabilidade das agências organizadoras pelos custos de busca, resgate e atendimento médico de clientes e funcionários — com coordenação do Departamento de Turismo quando não houver agência envolvida;

  • possibilidade legal de declarar como falecida a pessoa desaparecida após um ano de buscas sem sucesso, medida que também impacta processos de seguro;

  • contratação obrigatória de seguro antes das expedições, com cobertura para acidentes pessoais, assistência médica, busca, salvamento e gestão de óbitos, podendo chegar a três meses em roteiros com múltiplas montanhas;

  • criação do Fundo de Proteção Ambiental e Bem-Estar para Montanhistas, destinado à limpeza das rotas, proteção social de trabalhadores de apoio e políticas ambientais permanentes;

  • manutenção da regra ambiental que exige que cada montanhista retorne com pelo menos 8 quilos de lixo, sob pena de perda do depósito de cerca de US$ 4 mil — valor que passa a integrar o fundo de conservação;

  • proibição de reembolso de taxas de escalada em caso de desistência ou revogação da licença, exceto em situações extraordinárias, como conflitos armados, desastres naturais ou epidemias.

Assim, com esse conjunto de medidas, o Nepal busca reduzir filas perigosas próximas ao cume, limitar a presença de escaladores sem preparo técnico e conter o avanço dos impactos ambientais na região do Everest.

POR QUE O NEPAL DECIDIU AGIR AGORA

Nos últimos anos, o Everest se tornou símbolo de um problema maior do turismo de aventura: muita demanda, pouca regulação e riscos crescentes. Ao mesmo tempo, a economia local depende diretamente das expedições.

Por isso, o governo buscou um equilíbrio. A nova lei não fecha a montanha para visitantes, mas tenta garantir que apenas escaladores realmente preparados participem das tentativas de cume.

QUANDO AS NOVAS REGRAS PASSAM A VALER

Apesar da aprovação parlamentar em fevereiro de 2026, a aplicação prática ainda depende de etapas finais do processo legislativo e da publicação das regulamentações oficiais.

Somente após essa fase serão definidos detalhes como documentos exigidos, limites de permissões e padrões técnicos obrigatórios para as expedições.

UM NOVO FUTURO PARA O EVEREST

O Tourism Bill, 2081 marca uma mudança de visão. Escalar o Everest deixa de ser apenas uma conquista individual e passa a fazer parte de uma política nacional de preservação e segurança.

Por fim, se as regras forem implementadas como planejado, o Nepal pode transformar a montanha mais alta do mundo em referência global de turismo responsável em ambientes extremos.

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